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ORIGEM E HISTÓRIA DO MARACATU DE BAQUE VIRADO


Origem e História do Maracatu de Baque Virado
- MARACATU NAÇÃO -


O Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação é uma manifestação da cultura popular brasileira, afrodescendente. Surgiu durante o período escravocrata, provavelmente entre os séculos XVII e XVIII, no Estado de Pernambuco, principalmente nas cidades de Recife, Olinda e Igarassu (que, antigamente, abrangia também o que  hoje são os municípios de Itapissuma, Abreu e Lima e Itamaracá). Como a maioria das manifestações populares do país, é uma mistura de culturas ameríndias, africanas e europeias.

O significado da palavra “Maracatu”

Segundo relatos, a palavra "maracatu" primeiro designou um instrumento de percussão e, só depois, a dança que se dançava ao som deste instrumento. Os cronistas portugueses chamavam aos "infiéis" de nação, nome que acabou sendo assumido pelo colonizado. Os próprios negros passaram a autodenominar de nações a seus agrupamentos tribais. As nações sobreviventes descendem deste tipo de organizações de negros.
Mário de Andrade, no capítulo Maracatu de seu livro Danças Dramáticas Brasileiras II, elenca diversas possibilidades de origem da palavra maracatu, entre elas uma provável origem americana: maracá = instrumento ameríndio de percussão; catu = bom, bonito em tupi; marã = guerra, confusão; marãcàtú, e depois maràcàtú valendo como guerra bonita, isto é, reunindo o sentido festivo e o sentido guerreiro no mesmo termo. Mario de Andrade no mesmo texto deixa claro que enumerava os vários significados da palavra "sem a mínima pretensão a ter resolvido o problema. Simples divagação etimológica pros sabedores... divagarem mais." No entanto, sua origem e história não é certa, pois alguns autores ressaltam que o maracatu nasceu nos terreiros de candomblé, quando os escravos reconstituíam a coroação do reis do Congo. Com o advento da abolição, este ritual ganhou as ruas, tornando-se um folguedo carnavalesco.


Os Maracatus mais antigos do Carnaval do Recife, também conhecidos como Maracatu de Baque Virado ou Maracatu Nação, nasceram da tradição do Rei do Congo. O mais remoto registro sobre Maracatu data de 1711, de Olinda, e fala de uma instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei.

O livro de César Guerra-Peixe chamado "Maracatus do Recife" publicado em 1955 diz que "A mais antiga notícia certa do nosso conhecimento é a do padre Lino do Monte Carmelo Luna, que aponta o maracatu em 1867, segundo uma transcrição de René Ribeiro".
Este maracatu mais tradicional é chamado de Baque Virado porque este termo é sinônimo de um dos "toques" característicos do cortejo.
Os Maracatus de Baque Virado sempre começam em ritmo compassado, que depois se acelera, embora jamais alcance um andamento muito rápido. Antes de se ouvir a corneta ou o clarim, que precedem o estandarte da Nação, é a zoada do "baque" que anuncia, ao longe, a chegada do Maracatu.
O maracatu se distingue das outras danças dramáticas e das danças negras em geral pela sua coreografia. Há uma presença forte de uma origem mística na maneira com que se dança o Maracatu, que lembra as danças do Candomblé
  
Um pouco mais da História

Segundo Ascenso Ferreira, as festas em honra dos Reis Magos foram instituídas no Brasil pelos missionários catequistas, que encontraram nas cores distintas que caracterizavam aquelas figuras da história do Nascimento de Jesus, um ponto para a conversão dos elementos indígenas e negros à fé cristã. O Rei Bronzeado para os caboclos, o Rei Negro para os negros importados da África e o Rei Branco como elemento de adoração dos portugueses. O Rei negro era Baltazar e a ele seguiram-se adeptos, em sua grande maioria da raça negra, e nos seus cortejos são encontradas as origens do nosso atual Maracatu de Baque Virado ou Nação. A partir de 1888, a coroação dos Reis do Congo, perdeu a sua razão de ser, pois, não existia mais a necessidade daquela "autoridade" para manter a ordem e a subordinação entre os negros que lhe eram sujeitos. Era no pátio das igrejas que se realizava a coroação dos Reis Negros, cujo cortejo, evoluindo através dos tempos, chegou até nossos dias, destacando-se do grupo das festas de Reis Magos (bumbas-meu-boi, cheganças e pastoris) e entrando para os festejos carnavalescos. A palavra Maracatu, provavelmente, origina-se de uma senha combinada para anunciar a chegada de policiais, que vinham reprimir a brincadeira, a senha era anunciada pelos toques dos tambores emitindo o som: maracatu/maracatu/maracatu. Na linguagem popular, a palavra maracatu é empregada para expressar confusão; desarrumação; fora de ordem, dando respaldo ao pressuposto da origem dessa palavra. Na África não existe nada parecido com o nosso maracatu.

Outra referência sobre o maracatuda forma hoje conhecida, relata que o mesmo tem suas origens na instituição dos Reis Negros, já registrada na França e em Espanha, no século XV, e em Portugal, no século XVI.
Em Pernambuco, registra-se a presença de coroações dos soberanos do Congo e de Angola a partir de 10 de setembro de 1666, segundo transcrição de Pereira da Costa citando o testemunho de Urbain Souchou de Rennefort, in Memoires pour servir a L'Histoire des Indes Orientales etc, publicado em Paris 1688.

“Apesar do duro cativeiro em que vivem, os negros não deixam de se divertirem algumas vezes. No domingo 10 de setembro de 1666, teve lugar a sua festa em Pernambuco. Depois de terem ido à missa, em número de cerca de quatrocentos homens e cem mulheres, elegeram um rei e uma rainha; marcharam pelas ruas cantando e recitando versos por eles improvisados, precedidos de atabaques, trombetas e pandeiros. Vestiam as roupas de seus senhores e senhoras, trazendo correntes de ouro e brincos de ouro e pérolas; alguns estavam mascarados. Os gastos da cerimônia lhes custaram cem escudos. Durante toda a semana, o rei e os seus oficiais não fizeram outra coisa senão passearem gravemente pelas ruas, de espada e punhal ao cinto”.
O Historiador Leonardo Dantas Silva discorre sobre Maracatu Nação - "Na realidade, o que existia era o cortejo do rei,o cortejo do Rei do Congo, o cortejo do Rei de Angola, o cortejo do Rei de Cabinda. O maracatu na realidade era o ponto onde se realizavam os batuques. É como aquela história de forró: forró não é um gênero musical, mas o local onde as coisas acontecem. Gafieira não é um gênero musical, é o local onde as coisas acontecem, um baile popular. O forró é um baile popular e no baile tem xaxado, baião, tem xote. Então o maracatu era o local onde aconteciam os batuques dos negros, as reuniões de negros eram chamadas “maracatu”. Tanto é que a primeira notícia em que se fala[de maracatu]é sobre o Maracatu dos Coqueiros, não é uma agremiação, é o local onde se reuniam os negros. ex:A escrava [foragida] Catarina foi vista no Maracatu dos Coqueiros, freqüenta o Maracatu dos Coqueiros.
A [transição do Cortejo do Rei do Congo ao Maracatu] acontece a partir do momento que vem a abolição da escravatura, então a função do Rei do Congo desaparece, não tem razão de ser. O Rei do Congo era um auxiliar da autoridade policial, ele era autoridade intermediária entre o poder do estado e as nações africanas. Todas as nações deviam obediência ao Rei do Congo. Pouco antes da proclamação da república morre o último Rei do Congo da paróquia de Santo Antônio, que era Antônio de Oliveira. Quando ele morre não tem mais sucessor. Nesse momento, quem é que passa a ser o líder daquele grupo? O líder daquele grupo é o líder espiritual, então começa a liderança dos líderes do culto Nagô. Esses mantiveram o cortejo como uma forma de sair no carnaval. Quando o cortejo vinha às ruas com aquela percussão, que os jornais criticavam muito, eles chamavam maracatu, pois aquela percussão era semelhante [a outros batuques dos negros]. Foi a imprensa que denominou o cortejo de “maracatu”.

Outros aspectos sobre a origem


De saída do Porto Novo, os Português exportavam do reino Dahomey com a capital Abomey (hoje Benin) membros das tribos dos Fon, Nagô, Yoruba, Adja, Ewes e Minas. Com os escravos vem também os cultos do vudu (Orixá na lingua Yorubá) para América do Sul.

Misturado com as religiões das tribos da África Central desenvolveu-se o Candomblé. A maioria dos cantos e preces do Brasil até Haiti e Cuba estão até hoje em Yorubá, Nagô ou Goun, outra lingua da África do Leste. Para os portugueses "Kongo" ficou uma denominação simplificada.

Apesar de existirem muitas visões, histórias e hipóteses diferentes, a explicação mais difundida entre os estudiosos acerca da origem do Maracatu Nação é a de que ele teria surgido a partir das coroações e autos do Rei do Congo, prática implantada no Brasil supostamente pelos colonizadores portugueses e, por consequência, permitida pelos senhores de escravos, que autorizavam os negros a elegerem seus reis e rainhas.

Reis e Rainhas
A cerimônia de coroação acontecia no dia de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em frente às Igrejas, sendo presidida por um pároco indicado pela coroa. O maracatu era então designado como Nação, isso porque a escolha dos reis era feita de acordo com as diferentes etnias africanas trazidas ao Brasil.

Os eleitos como Rainhas e Reis do Congo eram lideranças políticas entre os cativos: intermediários entre o poder do Estado Colonial e as mulheres e homens de origem africana. Destas organizações teriam surgido muitas manifestações culturais populares que passaram a realizar encontros e rituais em torno dessas representações sociais originando manifestações populares como Maracatu de Baque Virado, que também estabeleceu ao longo dos anos em diversos “agrupamentos” uma forte ligação com a religiosidade do Candomblé ou Xangô Pernanbucano.

Vale ressaltar que alguns pesquisadores identificam também outras manifestações populares como a Congada mineira e o Afoxé baiano como tendo sua origem relacionada à Instituição Mestra, também conhecida com Instituição do Rei do Congo, já que esta teria vigorado por todo o território nacional.
Apesar do vínculo com a tradição católica, o maracatu sempre foi e ainda é uma manifestação essencialmente negra, mas, assim como outras manifestações afro-brasileiras acabou se sincretizando em alguns aspectos para manter-se viva. E é, exatamente neste estado, que encontramos os maracatus de Recife hoje: vivos. Existindo e resistindo enquanto expressão cultural ao mesmo tempo tradicional e dinâmica, num constante processo de transformação.

Cronologia dos Maracatus de Pernambuco




Maracatu Elefante:1800 - Esse maracatu foi criado em 1800, a partir da dissidência de um de seus participantes: Manuel Santiago, do Maracatu Brilhante. Foi através de Dona Santa que o Maracatu Elefante ficou conhecido.



O Maracatu Estrela Brilhante de Igarassú é uma das agremiações mais antigas do Brasil, tendo sua fundação no ano de 1824 e é o maracatu de baque virado mais antigo de Pernambuco. O maracatu tem em sua historia varias apresentações na cidade de Recife e Olinda.


Em matéria publicada no Jornal do Commercio é possível encontrar a origem do Maracatu Leão Coroado em 8 de dezembro de 1863, fundado por Mané Beiçola – avô de Luiz de França (antigo presidente). Manuel dos Santos teria passado o cetro para José Luís.



Fundado em 1910, por Cosme Damião Tavares, o Seu Cosmo, o Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife é uma das agremiações mais antigas de Pernambuco. Sediado no bairro do Alto José do Pinho, no Recife, é coordenado pela atual rainha, Marivalda Maria dos Santos e por Mestre Walter, que comanda o batuque. 



Maracatu Porto Rico tem um histórico de resistência, de idas e vindas, surgimento e desaparecimentos sucessivos, até chegar ao apogeu de sua contemporaneidade. Sua fundação oficial em livro de registro data de 1916, na cidade de Palmares/PE, desenvolvendo-se lá por vários anos.

Sua fundação oficial em livro de registro data de 7 de setembro de 1916, no sitio de Palmeirinha, na cidade de Palmares/PE, sob liderança de João Francisco do Itá.
Chico de Itá foi  rei da nação e remanescente do Quilombo dos Palmares e a rainha citada na ata é Maria dos Prazeres. Pereira da Costa publica uma nota em um jornal recifense, de 1914, uma informação que contradiz essa data de fundação: Fez ontem seu dendê em frente a nossa tenda de trabalho o velho Maracatu Porto Rico”.
Dessa forma, segundo Pereira da Costa, Porto Rico já era um velho maracatu 2 anos antes de nascer. Guerra Peixe conclui que essa fundação é apenas uma nova fase de uma agremiação que já existia.

As Nações


As Nações de Maracatu são os grupos tradicionais, muitas vezes seculares e na maioria dos casos ligados a religião de matriz africana e/ou ameríndia, como o Candomblé ou Xangô e também a Jurema Sagrada.
Entre si, são similares na essência, mas diferentes na maneira de realizar suas atividades, desde a relação com a religião, com a sua comunidade, até a execução da música.
Nas suas apresentações ou cortejos, são formadas por dois elementos principais presentes em todas as Nações: a corte e um grupo de percussionistas/batuqueiros ou ainda bateria.
A corte do Maracatu é a representação de uma corte real, ricamente paramentada com vestimentas ao estilo Luís XV, composta por um conjunto de personagens que podem apresentar variações de acordo com a Nação, aonde se vêem muitos elementos de importante simbologia e singularidade visual como é o caso da Calunga: boneca usualmente feita de cera e madeira que representa um importante ancestral da nação, sendo também associada à proteção espiritual. Esta boneca encarna a divindade dos orixás, recebendo em sua cabeça os axés e a veneração do grupo e é carregada por uma importante figura da corte chamada ‘Dama-do-paço’.

Além dessas e do rei e rainha, existem ainda outros personagens importantes na corte como os príncipes e princesas, barões e baronesa, embaixador e embaixatriz e o Porta-Estandarte responsável por carregar o estandarte ou pavilhão. As catirinas, assim como os lanceiros, representam os vassalos que, com seu bailado, circulam a corte real, protegendo-a. Esses são alguns dos elementos mais tradicionais, além destes existem outros que vêm sendo introduzidos mais recentemente, como é o caso da ala que representa os orixás e da ala ‘afro’ que dança passos marcados.


Os personagens da Corte Real, dançam seguidos por uma orquestra de percussão, composta pelos “batuqueiros” e seus instrumentos: alfaias, agbês, mineros, atabaques, taróis, caixas e gonguê, além de uma voz solo, comandada pelo Mestre, e o coro de vozes.

O Mestre (ou puxador) comanda o baque com seu apito e canta a loa, que é respondida pelos batuqueiros, baianas e todos os integrantes. Todos desfilam juntos, em blocos, em forma de “arrastão”. As loas são pré-elaboradas e falam da história do maracatu, da sua origem, da tradição, versam sobre o candomblé, o abolicionismo, a procedência africana.

Sendo assim, o cortejo de maracatu constitui-se em imponente espetáculo que envolve além de toda riqueza estética e simbólica, também uma intensa musicalidade através dos cânticos chamados de ‘toadas’ e da orquestra percussiva que executa diversos tipos de ‘baques’. 

O maracatu de baque virado é um universo extremamente rico em termos estéticos, rítmicos, históricos e comunitários. Envolve dança, música, canto, alegria, ritual, e principalmente um enorme envolvimento emocional-comunitário.

O número de batuqueiros na percussão das Nações de Maracatu pode variar assim como os instrumentos usados, na prática, a grande maioria utiliza as Alfaias (chamadas também de bombos ou zabumbas), as Caixas de Guerra e o Gongue, mas existem ainda os Taróis, os Abes/Agbes, os Mineiros/Ganzás e os ‘ Tambores de Mão/Atabaques’, cujo uso varia entre as nações.
  


Nações de Maracatu de Pernambuco
- Maracatu Nação Elefante (Recife) Fundado em 1800
- Maracatu Nação Estrela Brilhante de Igarassu (Igarassu) Fundado em 1824
- Maracatu Nação Leão Coroado (Olinda) Fundado em 8 de dezembro de 1863
- Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife (Recife) Fundado em 1910
- Maracatu Nação Porto Rico (Recife) Fundado em 7 de setembro de 1916
- Maracatu Nação Encanto do Pina (Recife) Fundado em 3 de março de 1980
- Maracatu Nação Cambinda Estrela (Recife)
- Maracatu Nação Encanto da Alegria (Recife)
- Maracatu Nação Almirante do Forte (Recife)
- Maracatu Nação Aurora Africana (Jaboatão dos Guararapes)
- Maracatu Nação Axé da Lua
- Maracatu Nação de Luanda
- Maracatu Nação Encanto do Dendê
- Maracatu Nação Erê
- Maracatu Nação Estrela de Olinda
- Maracatu Nação Gato Preto
- Maracatu Nação Leão da Campina
- Maracatu Nação Leão de Judá
- Maracatu Nação Linda Flor
- Maracatu Nação Oxum Mirim
- Maracatu Nação Raizes de Pai Adão
- Maracatu Nação Sol Nascente
- Maracatu Nação Cambinda Africana
- Maracatu Nação Rosa Vermelha
- Maracatu Nação Estrela Dalva
- Maracatu Nação Tupinambá
- Maracatu Nação do Engenho
- Maracatu Nação Cambinda Velha
- Maracatu Nação Camaleão (Olinda)
- Maracatu Nação Maracambuco (Olinda)
- Maracatu Nação Peixinhos (Olinda)
- Maracatu Nação Cambinda de Oyá
Após um intenso processo de decadência dos maracatus de Recife durante quase todo o século XX, ocorreu nos anos 1990 o que podemos chamar de “Boom do Maracatu”.

A prática ancestral adquiriu uma notoriedade que nunca havia conquistado antes, resultado, entre outras coisas, da ação do Movimento Negro Unificado (MNU) junto a Nação Leão Coroado, (uma das nações mais tradicionais de Recife), do movimento Mangue Beat (que tem como principais expoentes Chico Science e o grupo Nação Zumbi, a Banda Mestre Ambrósio, entre outros), e do grupo Nação Pernambuco (uma de suas principais marcas foi ter separado a dimensão da música e da dança do Maracatu de sua dimensão religiosa).

Nesse contexto o Maracatu de Baque Virado saiu de seu palco principal que é a cidade de Recife e chegou a diversos lugares do país e do mundo. Atualmente existem grupos percussivos que trabalham com elementos da Cultura do Maracatu Nação em quase todos os estados brasileiros e em diversos países como Canadá, Inglaterra, França, Estados Unidos da América, Japão, Escócia, Alemanha, Espanha, entre outros.


 Grupos de Maracatu de Pernambuco
 (Vários são denominados de Nação)

  Recife e Região Metropolitana
- Nação Pernambuco
- Batuque Estrelado
- Maracambuco
- Maracatu A Cabralada
- Maracatu Amantes da Mão
- Maracatu Badia
- Maracatu Camaleão
- Maracatu Chuva de Prata
- Maracatu Flor do Cajueiro
- Maracatu Vila Nova
- Ouro do Porto
- Várzea do Capibaribe
- Tambores Dumundo (Recife)
- Toque da Foice
- Toque na Rua (Recife)
- Traga a Vasilha(Recife)
- Nação de Oxalá (Recife)
- Nação Mandú (Recife)
- Maracatu Tambores Dumundo (Recife)
- Maracaatômico (Recife)
Grupo Paranambuca (Recife)
- Grupo Cultural Baque das Ondas(Recife)
- Batuque na Praça (Recife)
- Baque Nambuco (Recife)
- Baque Forte (Recife)

  Agreste Pernambucano
- Maracatu Caldeirão de Pedra (Lajedo)
- Maracatu Nação do Barro(Caruaru)
- Maracatu Afro Estrêla (Garanhuns)

  Sertão Pernambucano
- Maracatu Nação Salgueirense (Salgueiro)
- Maracatu Afrobatuque (Floresta)
- Maracatu Raízes do Sertão (Arcoverde)
- Baque Opará (Petrolina)
- Grupo Folclórico Elizabete Freire(Sertânia)
- Maracatu Nação Luar do Sertão (Custódia)
- Maracatu Nação Império (Serra Talhada)

  Grupos de Maracatu do Nordeste
Maracatu Baque Alagoano (Maceió - AL)
- Bando Cumatê (Salvador - BA)
- Maracatu Santo Antônio (Salvador - BA)
- Nação Acasa (Salvador - BA)
- Maracatu Rei do Congo (Fortaleza - CE)
Maracatu Solar(Fortaleza - CE)
Nação Iracema (Fortaleza - CE)
- Reis de Paus (Fortaleza - CE)
- Vozes D'africa (Fortaleza - CE)
- Maratuque Upaon-Açu (percussão) (São Luís -MA)
Maracagrande Grupo de Percussão (Campina Grande-PB)
- Nação Maracahyba (João Pessoa - PB)
- Pé de Elefante (Joao Pessoa - PB)
- Rede de Arrasto (João Pessoa - PB)

  Grupos de Maracatu de Minas Gerais
- Maracatu Estrela na Mata (Juiz de fora)
- Maracatu Famiguê (Montes Claros)
- Baque de Mina (Belo Horizonte)
- Baque do Morro ( Lavras)
- Baque do Vale (Rio Pomba)
- Bombos de Iroko (Belo Horizonte)
- Congo de Ouro (Poços de Caldas)
- Grupo de Cultura Popular O Bloco (Viçosa)
- Grupo Maracatu Famiguê ( Montes Claros)
- Grupo Percussivo Macaia (Belo Horizonte)
- Maracatu Lua Nova (Belo Horizonte)
- Maracatu Muiraquitã (Alfenas)
- Nação Amaranto (Divinópolis)
- Trovão das Minas (Belo Horizonte)
- Coletivo Baobá (Mariana)

  Grupos de Maracatu de São Paulo
Tambores de Inkice (Jundiaí)
Porto de Luanda(São Paulo)
- Porto Maracatu - Tony Azevedo (Piracicaba)
Nobre Real (São Paulo)
Nação Tainã (Campinas)
Maracatu Pincesa do Litoral (Iguape)
Maracatu Pedra de Raio ( São José do Rio Preto)
Maracatu Navegante (Ribeirão Preto)
Maracatu Nação Urucungos (Campinas).
Maracatu Mucambos de Raiz Nagô (São Paulo)
Maracatu Estação Quilombo (Americana)
Maracatu Chapéu de Sol (Ribeirão Preto)
Maracatu Boigy (Mogi das Cruzes)
Maracatu Abayomi (Bauru)
Malungos do Baque (Bragança Paulista)
Coro de Carcarás (São Paulo)
Cia Caracaxá(São Paulo)
Baque do Vale (Taubaté)
Baque de Santa (Santa Bárbara d'Oeste)
Baque & Atitude (São Paulo)
Maracatu Suburbaque (Mogi das Cruzes)
Sem Pantim (Santos)

  Grupos de Maracatu de Rio de Janeiro
GEBAv (Rio de Janeiro)
Maracutaia (Rio de Janeiro)
Palmeira Imperial (Paraty)
Pé da Amendoeira (Rio de Janeiro)
Rio Maracatu (Rio de Janeiro)
Semente de Jurema (Niterói)
Tambores de Olokun (Rio de Janeiro)
Baque da Mata (Nova Iguaçu)
Grupo Pedra Sonora (Resende)

  Grupos de Maracatu do Rio Grande do Sul
Baque dos Bugres (Caxias do Sul)

  Grupos de Maracatu do Paraná
Voa-Voa Maracatu Brincante (Curitiba)
Maracatu Semente De Angola (Londrina)
Maracatu Itá (Curitiba)
Maracatu Alvorada Nova (Foz do Iguaçu)
Maracatu Aroeira (Curitiba)
Maracaeté (Curitiba)
Grupo Semente de Angola (Londrina)
Grupo LATA (Londrina)
Estrela do Sul (Curitiba)
Brincantes 7 Ponteiras do Mar (Curitiba)
Boizinho Faceiro (Curitiba)

  Grupos de Maracatu de Santa Catarina
- Arrasta Ilha (Florianópolis)
- Capivara (Blumenau)
- Jaé (Itajaí)
- Morro do Ouro (Joinville)
- Siri Goia (Florianópolis)
- Tamboritá (Palhoça)
- Treme Terra (Bombinhas)

 Outros Grupos no Brasil
- Maracatu Eco da Sapopema (Manaus - AM)
- Batuquenauá (Cuiabá- MT)
- Buriti Nagô (Cuiabá - MT)
- Tambores Vento Bom (Campo Grande - MS)

  Grupos de Maracatu Internacionais
- Baque de Bamba (Toronto-Canadá)
- Maracatu MarAberto (Toronto -Canadá)
Tamaracá (Paris -França)
- Maracatucolonia (Colonia - Alemanha)

Um Outro Olhar:

“Eram típicos no carnaval de antigamente. Típicos, numerosos, importantes, suntuosos. No meio do vozerio da mascarada, dominando as marchas dos cordões, ouvia-se ainda longe o rumor constante, uniforme, monótono dos atabaques:

Bum…bum…bum…bum…
Bum…bum…bum…bum…

Era um maracatu. Havia os que gostavam dele e esperavam-no com curiosidade. Havia os que protestavam contra a revivescência africana e resmungavam.
Bum…bum…bum…bum…
No fim da rua, por cima do povo, surdia o grande chapéu de sol vermelho, rodando, oscilando, curvando-se. E o batuque cada vez mais perto, mais perto. Dali a pouco desfilava o cortejo real dos negros. Vinha o rico estandarte com cores vivas e bordados a ouro. Seguiam-se as alas de mulheres ostentando turbantes, saias bem rodadas, corpetes enfeitados de vidrilhos. Traziam fetiches religiosos nas mãos.

Depois o Rei e a Rainha, em trajes majestosos, debaixo da ampla umbela de seda encarnada com franjas douradas. Empunhavam os cetros, vestiam longos mantos, e tinham cabeças coroadas. Na retaguarda do préstito, os atabaques, as marimbas, os congás, os pandeiros, as buzinas… As canções que todos entoavam eram ordinariamente nostálgicas, como uma ancestral saudade da terra de berço, ficada tão distante. Costumavam também cantar assim:
Bravos, Ioio! Maracatu Já chegou.
Bravos, Iaia! Maracatu vai passar.

Uma das mulheres empunhava uma grande boneca de pano toda engalanada de fitas, e repetia numa toada dolente:
A boneca é de seda…
A boneca é de seda…

Os maracatus paravam em frente às casas dos protetores e ali dançavam durante alguns minutos. Antigamente licenciavam-se dezenas deles e apresentavam-se com verdadeiro luxo. Nas sedes havia demoradas festas, com danças e batuques, a que assistiam os soberanos sob um docel de veludo. Todos os negros da costa, tão comuns no Recife de ontem, aqueles mesmos que se reuniam , também, religiosamente, na Igreja do Rosário, lá se achavam para tomar parte no toques. O maracatu hoje escasseia e já não tem mais o esplendor de antes. Em menino eu tinha medo dos maracatus. Medo e como uma espécie de piedade intraduzível.

Aqueles passos de dança, aqueles trajes esquisitos, aqueles cantos dolentes, me davam uma agonia…Eu me encolhia todo, juntando-me à saia de chita de minha mãe preta, com receio talvez de que os negros do maracatu a levassem também. E eu não sabia ainda ser o maracatu uma saudade…Hoje é que a compreendo, que a sinto, recordando os maracatus de minha infância e de minha terra, vendo os carnavais de outras cidades e de outra época… Parece-me perceber ainda o batuque longínquo, cada vez mais remoto, cada vez mais indeciso, quando, na alta noite da terça-feira, no silêncio e na tristeza do Carnaval acabado, o derradeiro maracatu se recolhia à sede…
Bum…bum…bum…bum…
Bum…bum…bum…bum…
E lá se ia, como se foi, o meu maracatu de menino…”
* trecho de “Maxombas e Maracatus” – Mário Sette, 1958


Fontes de Pesquisa:
Site - Wikipédia
Site Sons de Pernambuco
Site IPHAN
Site maracatu.org.br
Instituto Cultural Raízes

2 comentários:

  1. adorie! muito brigada, vai me ajudar lindamente no meu trabalho. foi uma boa coletania obg Maracatu Afrobatuque.

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